Eu Indico: A Mulher da Areia

Por: Alan Kazzaz

Dentre os cinemas de vanguarda que marcaram a década de 60, a Nova Onda japonesa é frequentemente colocada em segundo plano se comparada à Nouvelle Vague e a Nova Hollywood, porém, não foi menos revolucionária ao cinema de seu país de origem. Deste movimento, se destaca Hiroshi Teshigahara, a primeira pessoa de origem asiática nomeada ao Oscar de Melhor Diretor, com sua obra recomendada a seguir: “A Mulher da Areia”.


Lançado em 1964, “A Mulher da Areia” conseguiu merecido reconhecimento, sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e vencendo o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes. O filme retrata os sofrimentos de um professor que coletava insetos em uma aldeia isolada em lençóis de areia, que então é enganado pelos moradores locais a se hospedar na casa de uma mulher, localizada em um pedreira formada nas dunas, de onde retiram a única saída durante a noite e o mantém preso em cativeiro e realizando trabalhos forçados, tendo como única companhia a anfitriã que ajudou a enganá-lo.


A fotografia do filme merece atenção especial, belíssima, pode ser apreciada até de forma independente do contexto do filme. Filmada em preto e branco, apresenta um uso excepcional de uma luz vasta e intensa nas cenas externas e sombras fortes nas cenas internas, e também potencializa as diversas cenas que exibem o movimento das dunas pelo vento, tornando-as quase hipnotizantes. Frequentemente são usadas janelas e outras obstruções dentro dos enquadramentos e planos detalhe da areia na pele das personagens, demonstrando a relação árdua do professor e sua companhia com o ambiente restritivo, seco e áspero que os cerca.


Essa obra, que em sua natueza é um suspense, possui uma tensão quase tangível, amplificada pela trilha sonora orquestral de agudos estridentes como em “Psicose”, assim como os vastos planos abertos da areia, que parece nunca ter fim. As nuances das performances dos atores e atrizes exploram com maestria a fragilidade mental dos protagonistas em isolamento e a perversidade dos antagonistas que habitam aquele vilarejo.


Para criar uma experiência interessante com essa tensão citada acima, faz-se aqui uma recomendação adicional: a de assistir o filme sem conferir o seu tempo de duração, antes e durante sua reprodução. As constantes tentativas de fuga do protagonista terão um impacto especial caso o espectador não tenha perspectiva de qual delas será bem sucedida, assim como o personagem principal.

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